essar um fosso cheio de lagartos-leões e escalar muralhas
escorregadias com musgo, e tudo isso enquanto fica exposto
ao fogo dos arqueiros nas outras torres - deu um sorriso
sombrio para o tio, - E quando a noite cai, dizem que há
fantasmas, espíritos frios e vingativos do Norte que têm fome
de sangue sulista.
Sor Brynden soltou um risinho.
- Lembre-me de não ficar muito tempo por aqui. Da última
vez que verifiquei, eu próprio era sulista.
Tinham sido desfraldados estandartes nas três torres. O
resplendor dos Karstark esvoaçava da Torre do Bêbado sob o
lobo gigante; na Torre das Crianças, era o gigante com as
correntes quebradas de Grande-Jon. Mas na Torre do Portão
a bandeira dos Stark voava sozinha. Fora aí que Robb
estabelecera sua base. Catelyn dirigiu-se para lá, com Sor
Brynden e Sor Wendel atrás, levando os cavalos a passo lento
pela estrada de tábuas e troncos que tinha sido disposta sobre
o verde e o negro dos campos de lama.
Encontrou o filho rodeado pelos senhores vassalos do pai, em
um salão cheio de correntes de ar, com um fogo de turfa
fumegando em uma lareira negra. Estava sentado a uma
maciça mesa de pedra, com uma pilha de papéis e mapas à
sua frente, conversando seriamente com Roose Bolton e
Grande-Jon. A princípio não reparou nela... mas o lobo, sim.
O grande animal cinzento estava deitado perto do fogo, mas,
quando Catelyn entrou, ergueu a cabeça, e os olhos dourados
encontraram os dela. Os senhores calaram-se, um por um, e
Robb ergueu os olhos perante o súbito silêncio e a viu.
- Mãe? - disse, com a voz pesada de emoção.
Catelyn quis correr para ele, beijar sua querida testa, envolvê-
lo nos braços e apertá-lo com força para que nunca lhe
acontecesse nenhum mal... mas ali, na frente de seus senhores,
não se atrevia. Ele agora desempenhava um papel de homem,
e ela não lhe queria tirar isto. Por isso, deteve-se na ponta
mais distante da laje de basalto que estavam usando como
mesa. O lobo selvagem pôs-se em pé e caminhou pela sala até
ela. Parecia maior do que um lobo deveria ser.
- Deixou crescer a barba - disse ela para Robb, enquanto
Vento Cinzento lhe farejava a mão. Ele esfregou o queixo, de
repente atrapalhado.
- Sim - os pelos no queixo eram mais vermelhos que os
cabelos.
- Gostei - Catelyn afagou suavemente a cabeça do lobo. -
Torna-o parecido com meu irmão Edmure - Vento Cinzento
mordiscou-lhe os dedos, de um jeito brincalhão, e regressou a
trote para seu lugar perto do fogo.
Sor Haleman Tallhart foi o primeiro a seguir o lobo gigante,
atravessando a sala para saudá--la, ajoelhando à sua frente e
encostando a testa à sua mão.
- Senhora Catelyn - disse -, está bela como sempre, uma visão
bem-vinda em tempos conturbados - seguiram-se os Glover,
Galbart e Robett, e Grande-Jon Umber, e os outros, um por
um. Theon Greyjoy foi o último.
- Não esperava vê-la aqui, senhora - disse enquanto se
ajoelhava.
- Não pensei em vir - disse Catelyn -, até que desembarquei
em Porto Branco e Lorde Wy-man me disse que Robb
convocara os vassalos. Conheça seu filho, Sor Wendel -
Wendel Man-derly avançou e fez uma reverência tão
profunda quanto a barriga lhe permitia. - E meu tio, Sor
Brynden Tully, que trocou o serviço da minha irmã pelo meu.
- O Peixe Negro - Robb disse, - Obrigado por se juntar a nós,
sor. Precisamos de homens com a sua coragem. E o senhor
também, Sor Wendel, estou contente por tê-lo aqui. Sor
Rodrik também está com a senhora, mãe? Senti a sua falta.
- Sor Rodrik saiu de Porto Branco para o norte. Nomeei-o
castelão e ordenei-lhe que defendesse Winterfell até o nosso
regresso. Meistre Luwin é um sábio conselheiro, mas não tem
experiência nas artes da guerra.
- Nada tema a esse respeito, Senhora Stark - disse-lhe
Grande-Jon, no seu rugido de baixo. - Winterfell está seguro.
Vamos enfiar nossas espadas em breve em Tywin Lannister,
com a sua licença, e depois seguimos a caminho da Fortaleza
Vermelha para libertar Ned.
- Senhora, uma pergunta, se me dá licença - Roose Bolton,
senhor do Forte do Pavor, tinha voz fraca, mas, quando
falava, os homens maiores silenciavam-se para ouvir. Seus
olhos eram curiosamente claros, quase desprovidos de cor, e o
olhar era perturbador. - Diz-se que a senhora tem o filho anão
de Lorde Tywin cativo. Trouxe o Duende até nós? Juro,
faríamos bom uso de tal refém.
- É verdade que capturei Tyrion Lannister, mas já não o
tenho em meu poder - Catelyn foi forçada a admitir. Um coro
de consternação recebeu a notícia. - Não fiquei mais satisfeita
do que os senhores. Os deuses acharam por bem libertá-lo,
com alguma ajuda da tola da minha irmã - não devia
exprimir tão abertamente o seu desprezo, bem o sabia, mas a
partida do Ninho da Águia não fora agradável. Oferecera-se
para levar consigo Lorde Robert, para criá-lo em Winterfell
durante alguns anos. Atrevera-se a sugerir que a companhia
de outros rapazes lhe faria bem. A ira de Lysa fora uma visão
assustadora."Irmã ou não", replicara “se tentar roubar-me
meu filho, sairá pela Porta da Lua." Depois daquilo nada
mais 